Por Thais Ximenesthais ximenes

De uns anos para cá nunca se falou tanto sobre bullying. A mídia tem explorado esse assunto à exaustão, traçando perfis, buscando causas e explicações para o que vem acontecendo dentro e fora de escolas do mundo inteiro. Contudo, a própria cobertura da mídia se contradiz ao tentar explicar casos que ganharam notoriedade. A história dos jovens Wellington dos Santos e Casey Heynes são exemplos de como o jornalismo se contradiz dentro de uma mesmo assunto.

Wellington dos Santos invadiu em abril de 2011, uma escola pública no subúrbio carioca e atirou contra dezenas de crianças, matando doze delas. A história do menino tímido que sofreu abusos físicos e psicológicos de seus colegas naquela mesma escola anos antes e que voltou para se vingar estampou capas de jornais e noticiários durante semanas. Wellington foi taxado de mostro, psicopata e mais uma vítima do bullying.

Do outro lado do mundo, Casey Heynes, um menino de 13 anos agrediu o seu bully, um garoto da mesma idade que chamou Casey durante anos de gordo. A agressão foi gravada por um colega e já foi visto por mais de um milhão de pessoas. Casey se tornou um herói e deu entrevistas a programas matinais em seu país.

Longe de defender as atitudes de Wellington, mas é preciso analisar com cuidado as diferenças nas coberturas dos casos de Wellington e Casey. Enquanto um foi taxado de “monstro” e “psicopata”, o outro foi considerado um herói. Por que a mídia os diferencia quando a motivação foi a mesma? A sensação que tenho ao assistir ou ler alguma matéria que aborde o bullying é de que a própria mídia não decidiu um foco na hora da abordagem. Um assunto que demanda tanta atenção tem sido usado como explicação para todo e qualquer atitude de revolta de uma criança ou jovem.

Referências

BRASILIENSE, Daniele. As tragédias do bullying e o estado de cólera midiático

CARVALHO, Marilia Pinto. Violência nas escolas: o “bullying” e a indisciplina

SINGER, Helena. Análise de mídia: Cobertura do bullying é superficial

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