o-tão-esperado

É impossível andar pela exposição ComCiência, de Patrícia Piccinini, sem cruzar com olhares assustados. A exibição é composta por esculturas, quadros e mini-filmes que ocupam o Centro Cultural Banco do Brasil desde o dia 29 de abril. As obras da artista australiana mesclam o hiper-realismo da imagem humana, com o surrealismo de criaturas que poderiam, muito bem, estrelar os mais bizarros filmes de fantasia. O objetivo da exposição é chamar atenção para os possíveis resultados da modificação genética – mas ao invés de medo, as peças são como um imã: pura atração.
Apesar do repertório variado, as esculturas são destaque óbvio da exibição. Feitas em sua maioria com base de silicone e cabelo humano, as peças quase pedem para ser tocadas. Quanto mais estranhas, maior a concentração de olhares curiosos em volta. Um tema é repetido em algumas peças: a relação das crianças com o desconhecido. Na escultura “Indiviso”, um menino dorme abraçado com um animal que gera incômodo e até repulsa em quem observa.

Indiviso-foto2

“Quando aprendemos a estranhar ou rejeitar outros seres? Durante a infância, somos mais abertos para o diferente. Aqui, um menino dorme tranquilamente abraçado a um ser que causar repulsa a muitos adultos. Mas, ao mesmo tempo em que presenciamos a beleza da entrega, é impossível não se afligir pela criança, tão vulnerável ao lado de um animal criado em laboratório”, questiona Piccianini, em texto que acompanha a obra.
Outra produção memorável da exibição é a obra intitulada de “The Breathing Room”, ou “quarto que respira”, em português. Em uma sala escura, o observador sente e escuta o tremor e barulhos da respiração, enquanto vê vídeos de organismos surrealistas que se movimentam no mesmo ritmo. É uma experiência sensorial que leva o espectador para dentro de um corpo que passa por uma crise emocional.
“The Breathing Room é uma instalação baseada em grandes telas que examina a ideia de pânico na sociedade contemporânea. O trabalho reflete o estado de ansiedade, bem contemporâneo, que ocorre à medida que novas tecnologias (eletrônicas, bioquímicas, biotecnológicas, agrícolas) começam a desestabilizar os fundamentos da vida: a especificidade das espécies, a fisicalidade do espaço, a continuidade das instituições culturais ou políticas”, explica o texto da artista.
De maneira geral, a exposição joga luz em um futuro distópico e nas possíveis consequências do avanço conturbado da tecnologia e da ciência. A exposição acontece no Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio de Janeiro, de quarta a segunda, das 9h às 21h.

Por: Maria Clara

Fotos de: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/comciencia-patricia-piccinini-2/

Anúncios