A agência de reportagem e jornalismo investigativo, Pública, lançou em março o “Mapa do jornalismo independente”, projeto que pretende listar iniciativas independentes na mídia brasileira. Como consta no texto que apresenta o mapa, “a ideia é ambiciosa, mas cada vez mais necessária neste momento de ruptura e renascimento que o jornalismo vive”. No entanto, são tantas propostas que é necessário investir muito tempo para entrar em contato com todas essas novidades.

Pensando nisso, o Cenário, está preparando um guia com algumas das iniciativas, divididas em temáticas, para facilitar o encontro do novo leitor com esses conteúdos. Veja a lista abaixo:

Mulher/Feminismo: Os movimentos de mulheres ganharam nova força nos últimos anos, a ponto de alguns especialistas falarem em uma “nova onda do feminismo”. As mídias independentes, por sua vez, refletem o interesse renovado do público por esses temas. Conheça alguns desses sites logo abaixo.

Mulher no Cinema – o site se propõe a ser “um espaço para dar voz às mulheres que fazem cinema” e nasceu de uma série de reportagens que sua criadora, Luísa Pécora, escreveu para o portal iG. Essa experiência a fez perceber o interesse dos leitores pelo assunto. Pécora também percebeu a participação da mulher no cinema brasileiro necessita de debates. “Sentia falta de estatísticas, de estudos, de ouvir o que as profissionais da indústria tinham a dizer e de um site que reunisse e produzisse conteúdo sobre o tema em português”, explica na apresentação de sua página.

Nós, Mulheres de Periferia – Com a missão de contribuir para o empoderamento das mulheres da periferia de São Paulo, o coletivo homônimo por trás do portal é formado por oito jornalistas e uma designer, todas moradoras de bairros periféricos do município de São Paulo. Em seu site, elas contam a história que deu início ao projeto:

“No dia 7 de março de 2012, quatro das nove mulheres jornalistas que integram o coletivo publicaram artigo na seção “Tendências/Debates” do jornal Folha de S. Paulo, atentando para a invisibilidade e aos direitos não atendidos de uma parte das mulheres – as que moram em bairros periféricos de grandes metrópoles.

“O texto obteve grande repercussão, sendo replicado em outros veículos de mídia, mas teve ainda mais repercussão e encontrou eco entre nossas iguais, outras jovens ou não tão jovens mulheres moradoras da periferia de São Paulo que tinham se sentido representadas, lembradas e retratadas. O artigo, por exemplo, foi lido e registrado em vídeo no Sarau do bairro Itaim Paulista, na zona leste da capital”.

A Capitolina – Voltada para garotas adolescentes, a revista online independente tem a intenção “de estabelecer um diálogo honesto com as leitoras, sendo acessível e interessante de forma inclusiva, sem restrições de classe social, raça, orientação sexual ou aparência física”. Seu conteúdo, feito por colaboradoras, é bastante diversificado e inclui matérias sobre escola, relacionamentos, games, gadgets, moda, e culinária, além de quadrinhos, ensaios fotográficos e produção literária.

Jornalismo Alternativo:

Nascidos da insatisfação com a narrativa dada pelas mídias tradicionais dos eventos cotidianos, mídias independentes têm sido criadas em todo o mundo em vários perídos históricos diferentes. Não seria diferente no Brasil, principalmente quando se leva em conta o período político turbulente que o país atravessa. Conheça algumas dessas propostas de jornalismo alternativo presente no mapa da Pública.

Fala Roça –  O  canal de comunicação comunitária existe há três anos e é formado por três jovens da Rocinha, entre 22 e 27 anos. Além do site, o grupo também distribui uma versão  impressa, rodado a cada 2 meses e entregue de porta em porta nas casas localizadas em comunidades. Entre seus diferenciais, está a sua identificação com a cultura nordestina, que explicam se dar pela influência demográfica: “cerca de 70% da comunidade tem ligações com a cultura do nordeste”, apontam.

Terra sem males – O projeto pratica o jornalismo independente. Com a colaboração de vários jornalistas para a produção de reportagens, o portal de Curitiba – com cobertura nacional –  começou em 2015.  De acordo com sua apresentação no mapa, a missão do Terra é “dar voz e visibilidade às populações e povos deixados de lado pelos donos da mídia convencional”. Sua proposta é a produção de reportagens, sob o ponto de vista dos trabalhadores, com a valorização das imagens como fonte de informação.

Agência Democratize – Com o slogan “Uma terceira via ao jornalismo”, a rede de comunicação independente foi criada em 2015  para levantar o debate sobre a democratização dos veículos de comunicação. Em forma de cooperativa, a Democratize informa seus leitores sobre o que acontece no país e no mundo. Sempre com um novo ponto de vista e uma nova abordagem à tradicionalmente veiculada.

Por: Edson Neto

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