Por Marcela Rochetti

Dexter perde o foco desde a quinta temporada e decepciona com final mal elaborado

Desde o primeiro o episódio há uma tentativa de delinear a identidade de Dexter. O personagem de Michael C. Hall sempre transitou entre seu lado monstruoso e humano com tanta perfeição que nos vimos ocasionalmente torcendo por ele em sua busca por eliminar os seriais killers de Miami. Mas, Dexter nunca foi precisamente um herói, como ele mesmo fala, seu Dark Passenger está sempre ao seu lado guiando seu ritual tão caprichosamente arquitetado por Harry, seu pai adotivo, e pela terapeuta Evelyn Voguel. O lado humano do anti-herói esteve sempre preso àqueles que ele amava, mesmo pensando ser incapaz de expressar sentimentos. Talvez, Rita e Debra fossem seus pilares mais fortes.

Para entender-se o porquê da série ter perdido o fôlego, o telespectador precisa fazer uma análise crítica do final da quarta temporada. Nessa, Dexter começar a conviver com o lado mais humano, construindo uma família, sendo pai e marido. Percebe-se o embate e a dualidade de tentar ter elementos de uma vida normal sem se desapegar da monstruosidade que ele acreditar ter. Quando conhece Trinity, ele pensa ter encontrado uma maneira, mas ao amolecer e deixar de lado seu código, perde Rita.

Essa temporada foi muito aclamada e alavancou ainda mais a audiência do seriado. O grau de complexidade das narrativas não chegou a desconstruir por completo a identidade do personagem, tão bem construída na primeira temporada. Mas, deu o ponta-pé inicial. A partir daí, o esvaziamento foi tanto22/09. A decepção foi grande. O herói percebe que na verdade sempre quis ser humano. Tenta levar isso ao último extremo, abandona seu código e deixa Saxon, vilão da temporada escapar. Seu erro custa caro para Deb, que acaba numa cama em estado vegetativo.

 

 

 

É nesse momento que o serial killer tem a atitude mais humana e passional da série, desligando os aparelhos da irmã. Muitos se decepcionaram com o final da última temporada. Entretanto, diante do esvaziamento sofrido ao longo de oito anos, esse final foi excelente. Ao fugir do final feliz e fazer Dexter encarar as conseqüências dos seus atos, os roteiristas finalmente foram fieis ao que pregavam na primeira temporada. A decepção talvez venha a ser pelas narrativas sem conclusão. Finalmente, com mais uma olhadinha para câmera e um silencio torturante, um seriado intenso chegou ao fim.

Confira o trailler do último episódio e outras críticas.

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