Foto: Divulgação
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Por Luiza Gould

O longa O Tempo e o Vento, mais recente produção brasileira já está em cartaz nos cinemas de todo o país desde o último dia 27 de setembro. Uma adaptação à obra homônima de Érico Veríssimo, o filme dirigido por Jayme Monjardim é um drama que conta a história da disputa de 150 anos entre as famílias Terra-Cambará e Amaral pela demarcação de terras. A guerra e a ocupação do estado do Rio Grande do Sul se mistura ao romance no longa estruturado a partir da narração de Bibiana, protagonizada pela atriz Fernanda Montenegro. Ao ver o espírito de seu amado, capitão Rodrigo Cambará ela relembra a sua história e a de sua família. Filha de Pedro Terra, Bibiana apresenta na trama o amor proibido entre sua avó Ana Terra e o índio Pedro Missioneiro. E recorda em seguida, o seu próprio romance, com o Capitão Rodrigo que chega a Santa Fé e se envolve nos conflitos da região. O casal precisa enfrentar as turbulências da guerra para poder viver seu amor. No elenco do filme, estão entre outros, Thiago Lacerda (Capitão Rodrigo); Fernanda Montenegro e Marjorie Estiano (Bibiana em duas fases); Cléo Pires e Suzana Pires (Ana Terra em duas fases). No total, 125 atores gravaram durante 11 semanas as cenas do filme, que levou 8 anos para ser produzido. Distribuído pela Paris Filmes e pela Globo Filmes, há a possibilidade de o longa virar também minissérie.

Foto: DivulgaçãoInspirado no livro O Continente, o primeiro da trilogia de Veríssimo, o roteiro de O Tempo e o vento foi reescrito vinte e sete vezes até se chegar ao resultado final. Diferente da obra original, no entanto, optou-se no filme por um olhar feminino da história. A dificuldade em adaptar o grande clássico foi considerada um desafio por Letícia Wierzchovski, uma das roteiristas e também pelo diretor do longa Jayme Monjardim. Em recente entrevista os dois relataram o receio de reproduzir a obra. A iniciativa, no entanto, não é nova. A história das famílias Terra, Cambará e Amaral já foi contada duas vezes na televisão e três no cinema. Em 1967, a história virou telenovela na agora extinta TV Excelsior. Adaptado por Teixeira Filho, o romance tinha nos papeis principais Carlos Zara como capitão Rodrigo, Geórgia Gomide como Ana Terra e Maria Estela como Bibiana. Já em 1985, a Rede Globo exibiu minissérie inspirada na obra e dividida em quatro partes. Os atores Tarcísio Meira, Louise Cardoso e Glória Pires interpretavam respectivamente Rodrigo Cabará, Bibiana e Ana Terra na trama. No cinema, três filmes já tinham reproduzido partes da obra de Veríssimo. Em 1956, Walter George Durst e Cassiano Gabus Mendes dirigiram o longa O sobrado, centrado na última parte do livro. Quinze anos depois, em 71, Anselmo Duarte dirigia Um certo capitão Rodrigo, filmado em quatro lugares diferentes. Já em 1972, Ana Terra estreava nas telonas com direção de Durval Garcia e Rossana Ghessa no papel principal. Os palcos também não ficaram de fora da adaptação. Em 2008, a montagem teatral do Grupo Cerco intitulada O Sobrado, foi escolhida o Melhor Espetáculo na premiação Porto Alegre em Cena.

A mais nova versão do cinema já conquistou público. No primeiro final de semana da estréia regional, 68 mil pessoas foram conferir O Tempo e o Vento no Rio Grande do Sul, estado que é o cenário da obra de Veríssimo. O número deu ao longa a posição de quinto filme mais visto pelos gaúchos. Críticas como a da Folha de São Paulo consideram o filme regular e enaltecem os cuidados para a reprodução da história. O tom novelesco, no entanto, é apontado como um ponto negativo.

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