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Por Luiza Gould

Foi um verdadeiro escândalo em 1876. Para a época o romance entre dois irmãos era algo impensável e por isso o livro Helena de Machado de Assis foi um choque para os leitores do século XIX. Setenta e seis anos depois, no entanto, o livro não só já tinha se concretizado como um clássico, como pela primeira vez era adaptado para a televisão. A obra, que se transformou em novela homônima de 1952 da TV Paulista, ainda teve uma versão na TV Globo em 1975 e outra na TV Manchete em 1987.

E como não falar da influência da obra de Machado de Assis nas novelas do autor Manoel Carlos? Desde que dirigiu a novela Helena na TV Paulista, o autor passou a incorporar o nome nas personagens principais de vários enredos que criou. O próximo horário nobre ocupado com uma trama dele trará a última das Helenas de sua carreira. Para fechar o ciclo das personagens, Manoel Carlos anunciou recentemente que o papel da protagonista será de Júlia Lemmertz, uma homenagem à Lilian Lemmertz, mãe de Júlia e primeira atriz a incorporar uma personagem principal com esse nome sem ser em uma novela que reproduzia a obra de Machado de Assis. Para fechar o ciclo das personagens, Manoel Carlos anunciou recentemente que o papel da protagonista será de Júlia Lemmertz, uma homenagem à Lilian Lemmertz, mãe de Júlia e primeira atriz a incorporar uma personagem principal com esse nome sem ser em uma novela que reproduzia a obra de Machado de Assis.

helena1A história de Machado

A trama do romance machadiano, que serviu de inspiração para novelas e personagens, mas também para curtas-metragens, séries, histórias em quadrinhos e até mangás, começa com a morte do Conselheiro Vale, um homem de influência e figura de destaque na sociedade. A leitura do testamento do Conselheiro traria a tona um antigo segredo que mudaria para sempre a vida de Estácio, seu filho, e Úrsula, sua irmã. Nele, o patriarca da família revelava que tinha tido uma filha fora do casamento que estudava em um colégio interno de Botafogo. Helena, na última vontade de seu pai deveria ir morar com o irmão e a tia na mansão do Andaraí. A novidade recebida com surpresa pelos parentes contou com a hostilidade de Úrsula, mas a obediência de Estácio que acolheu a irmã de braços abertos. Pouco a pouco a jovem com seus dotes, dedicação e temperamento comunicativo passou a ser adorada por todos. No desenrolar da história, Estácio se compromete com Eugênia, a fútil filha de Doutor Camargo, médico amigo de seu pai e Helena se aproxima de Mendonça, amigo de Estácio. É por ocasião do anúncio do casamento de Helena com Mendonça que Estácio percebe estar apaixonado pela irmã. Quem o alerta é o padre Melchior, conselheiro espiritual da família. Pouco tempo depois ocorre uma reviravolta na trama: Estácio descobre que Helena, na realidade, é filha biológica de um homem que visitava às escondidas, chamado Salvador. A mãe da jovem havia abandonado Salvador e passado a viver com Conselheiro, que adotou Helena. Com o mistério esclarecido, o enredo chega ao fim com a morte da protagonista. Essa morte, para não forçar assim Helena a desapontar um de seus pretendes, além de características como o término de cada capítulo com um mistério, e a idealização da protagonista são algumas das marcas do romantismo machadiano, fase que antecedeu o realismo do autor, movimento que teve em Machado de Assis um de seus maiores nomes.

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