damazioPor Vinícius Damazio

Um dos grandes clássicos do cinema alemão, “Nosferatu, uma Sinfonia de Horrores” (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922) foi resgatado para encerrar a atual temporada da série Música & Imagem, do Theatro Municipal, que une filmes mudos ao acompanhamento do coro e da sinfônica do teatro. A película dirigida por F. W. Murnau ganhou adaptação para o formato de concerto, com acompanhamento ao vivo, em várias sessões na última semana. A música que acompanhou o filme foi composta em 2012 por Pierre Oser. O coro, preparado por Jésus Figueiredo, e a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal interpretaram a partitura sob a regência do maestro Tobias Volkmann.

Clássico da literatura de terror, a história de Bram Stoker sobre o jovem advogado enviado ao castelo do conde Drácula, na Transilvânia, foi enterrada viva em clichês, piadas, esquetes de TV, desenhos animados e mais de 30 filmes. Porém, “Nosferatu” se estabelece antes do conto ter cavado seu buraco na cultura pop, numa realidade onde realmente parece se acreditar em vampiros. Max Schreck, que interpreta o conde, evita a maioria dos toques teatrais que distrairam todas as performances posteriores, de Bela Lugosi para Christopher Lee, com Frank Langella ou Gary Oldman. O vampiro aparece não como o ator exagerado, mas como um homem que sofria de uma terrível maldição. Schreck interpreta o conde mais como um animal do que um ser humano, e a direção de arte do antigo colaborador de Murnau, Albin Grau, lhe dá orelhas de morcego, unhas como garras e presas, que estão no meio de sua boca como um a de um roedor, em vez de nas laterais, como as de uma máscara de Halloween.

A obra de Murnau foi feita durante o período de transição do Expressionismo Alemão das artes tradicionais para o cinema. A alcunha se refere a uma séria de movimentos criativos no pré-1ª Guerra Mundial, tendo atingido seu auge no anos 1920 em Berlin. A característica típica do Expressionismo é apresentar o mundo sob uma perspectiva absolutamente subjetiva, distorcendo violentamente a realidade para obter um efeito emocional característico e transmitir sentimentos e ideias pessoais. Os artistas expressionistas procuraram basicamente expressar o significado de “estar vivo”, uma experiência muito além da simples realidade física.

O Expressionismo Alemão também pode ser encarado como uma reação ao positivismo e outros movimentos artísticos como o naturalismo e o impressionismo. Afinal, era impossível ser positivo e feliz na Alemanha daquele começo de século. Até o próprio Carlitos tirou sarro dos alemães em “Carlitos nas Trincheira” (Shoulder Arms, 1918). Generalizando, a expressão refere-se à arte que expressa a emoção de maneira intensa. O expressionista deseja, acima de tudo, expressar-se, rejeitando a percepção imediata, focando em características psicológicas, e sempre considerando impressões e imagens mentais. Propostas que tiveram como um de seus principais produtos este clássico silencioso de Murnau.

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