Por Elisa Bastos Araujo

morena
Cena da novela “Salve Jorge”

Na maioria das novelas de Glória Perez podemos adivinhar como será a condução da história. Um amor impossível, uma terra estranha e um tema polêmico são os ingredientes para o seu sucesso. Para a autora parece importante a ampliação de informação sobre assuntos que o público desconhece, como é o caso atual do tráfico de pessoas.

Anteriormente era a entrada ilegal nos Estado Unidos, a esquizofrenia e a psicopatia, e por aí vai. É mais uma forma de enquadrar tudo num bolo só, categorizando as coisas de uma forma simplificada.

A psicopatia, por exemplo, foi atribuída a uma fórmula de significar pessoas, mais uma estrutura condicionante, estigmatizante. “Observe seu filho, pois se ele tiver tais características, ele vai ser um psicopata”, era uma premissa que a novela queria passar aos espectadores comuns. E por um tempo se levou a discussão dessa forma.

O tráfico de pessoas é um assunto muito sério para ser tratado de maneira rasa, não é só como acontece às mocinhas da história.
Este é um recorte muito simplificado de como as coisas acontecem. Além do mais, as pessoas são obrigadas mesmo a se prostituir, de verdade, não é como Morena e Jéssica, que na maioria das vezes conseguem escapar sem precisarem fazer sexo com estranhos.
Outro ponto a ser discutido é a forma como a autora apresenta os países estrangeiros e estranhos, com uma cultura complexa e diferente da nossa. Essa forma de nos mostrar um jeito para sermos tolerantes com o outro é um jeito simplista de enxergar o mundo. Não temos que tolerar, mas sim respeitar.

Um simples “tic” ou um “taman” são meras expressões de um conjunto de diversas linguagens que um país possui. Ao serem repetidas no Brasil inteiro são vulgarizadas, atribuindo ao país estrangeiro um desconhecimento ainda maior de sua real cultura.
Nem mesmo o Brasil é apresentado como ele de fato é. Prova disso é a produção de estereótipos em torno dos moradores de comunidades, como na atual novela da autora. Tudo bem que o Brasil ainda age com preconceito com esta parcela da população, mas nem todos são barraqueiros e exagerados como a novela apresenta.

Novelas, por si mesmas, já congelam modelos de personalidades. As mocinhas são guerreiras, mas sofredoras, o vilão é o esperto que pode ou não se dar mal no final, e por aí vai. É uma pesquisa superficial sobre o próprio país e sobre uma cultura distante que se faz como categorização desta novela, e de tantas outras que a antecederam e que a ela emprestaram sua fórmula. Vale ressaltar que é importante levantar discussões sobre o tema, mas não de forma superficial.

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