Por Bárbara Fernandes

apt23

Acredito de verdade que as operadoras de celular do Brasil deveriam aprender com as emissoras de TV americanas, já que ultimamente elas têm se mostrando extremamente eficientes em cancelar as coisas. A diferença, nesse caso, é que ninguém pediu nada. Não que esse detalhe tenha impedido que a bolha de cancelamento das séries pare de crescer. Novatas ou não, de comédia ou drama, médicas ou sobre advogados, o corte nas séries em 2013 está atingindo patamares inacreditáveis, com casos de histórias que foram retiradas do ar de supetão, sem nenhum beijo de despedida, sem nenhum adeus apropriado. Como as minhas queridinhas Emily Owens M.D (CW), Don’t Trus the Bitch in Apartment 23 (ABC) e Drop Dead Diva (Lifetime).

Então, caro leitor, você está convidado para se juntar a mim em uma nova série que inventei: o nome é “Por que diabos cancelaram a minha série favorita?”, onde tentarei desvendar com todo meu saber policial e revolta no coração os motivos que levam a esses fins abruptos de séries tão queridos. Só não se apegue, porque ela provavelmente será cancelada até o final da edição.

Para essa matéria especial, convidei a estudante de jornalismo Roberta Amazonas para ser minha assistente na investigação. Por vários motivos: O primeiro é que a Roberta além de ser uma viciada em seriados, também fica com sangue nos olhos quando alguma série que ama é cancelada. O segundo é que assim como Bochecha sem Claudinho, não existe Sherlock sem Watson.

A nossa primeira tristeza de 2013 foi a sitcom novata Partners (CBS), que teve a transmissão suspensa após o sexto episódio ter ido ao ar, devido à baixa audiência. “Sempre fico chateada com os cancelamentos de séries, infelizmente, cada vez mais frequentes. Mas isso de suspender a série sem ter chegado ao fim é o pior caso, você fica realmente sem saber como aquela história terminaria.” – afirma Roberta. A indagação que permanece é como se chega a uma conclusão tão forte após seis episódios, mesmo que com baixa audiência. Por ganância os executivos não dão à série a chance de conquistar público, não permitindo nem que terminem de exibir os episódios encomendados.

Por outras vezes, pisam na cara dos fãs sem dó ao cancelar séries já consolidadas, como Drop Dead Diva (motivo pelo qual quis escrever esse especial meio revoltado). Depois de quatro temporadas acompanhando a saga da modelo burrinha que morre e reencarna no corpo de uma advogada com alto QI e um elevado IMC (índice de massa corpórea), fomos avisados que simplesmente não saberemos o final da história. Simples assim. É ou não é uma tremenda falta de respeito? (Tá aí uma coisa em que o Brasil ganha dos EUA, ninguém vai virar no meio de uma novela com baixa audiência (sdds Salve Jorge) e tirá-la do ar do nada. Nesse caso deveria, mas não irá). Entretanto, nem tudo está perdido. O criador da série Josh Berman mandou um recado para os fãs: “Não percam a esperança”, já que Josh tem recebido diversos convites de outros canais oferecendo um lar para a série.

Quando trocávamos opiniões sobre os momentos mais traumáticos das nossas vidas de seriadoras, a Roberta nos mostrou um caso de série finalizada: “Agora, o pior cancelamento de série para mim foi Life Unexpected (CW). A série foi cancelada em 2011 na metade da segunda temporada, mas pelo menos não simplesmente pararam onde estavam e pronto. Ao invés da emissora encomendar os episódios pós-hiato, optaram por finalizar a série com essa segunda temporada reduzida, dando aos roteiristas a chance de chegarem a um final que agradasse à maioria e para que a história não ficasse com um final em aberto, o que realmente acabou sendo a melhor maneira de encerrar a transmissão/produção da série.” – conta. Essa situação não deixa de ser um cancelamento, entretanto, os roteiristas tem mais tempo disponível para planejar um final, que provavelmente será corrido, mas ainda sim, é uma consideração com os fãs. Mesmo caso é o de House (FOX) e Dollhouse (FOX).

A audiência é o principal motivo que leva a uma série ser cancelada, mas outro problema grave é a internet. Com as séries sendo baixadas e não mais assistidas ao vivo, os executivos não tem a menor noção da real audiência daquela produção, pensando assim, que ninguém a assiste. Perdem também o dinheiro dos intervalos comerciais. E foi isso que aconteceu com a série Fringe (FOX). Chegando ao ponto dos blogs criados por telespectadores fizessem compilações dos comerciais passados no programa ao vivo, postassem no youtube e pedissem para que os fãs visualizassem. Objetivo era que mensagens fossem mandadas para os próprios patrocinadores sinalizando que assistiram a publicidade no intervalo de Fringe e gostaram do produto.

Por fim, a força dos fãs é fator essencial de salvamento quando uma produção recebe a sentença para cadeira elétrica. John Berman de Drop Dead Diva declarou que recebeu milhares de tweets desde a notícia do cancelamento, além de uma petição online para salvar a série, chamando a atenção de outros canais, que percebem o amor dos viciados pela trama. Com Fringe, as petições, hashtags, mensagens no Facebook e e-mails revoltados conseguiram alongar a série por mais treze episódios, criando um final corrido, um adeus singelo para aqueles que seguiram e acompanharam a história.

No final das contas, posso entender porque algumas séries são canceladas, mas não consigo deixar de sofrer enquanto vejo produções antigas, repetitivas e sem graças se perpetuarem, enquanto, bons materiais são jogados fora sem consideração. Assim, apesar de adorá-las, não irei indicar nenhuma das séries sem final que mencionei assim (Partners, Drop Dead Diva, Apartment 23 e Emily Owens) porque acho que vocês não merecem sentir essa dor no coração. Mas Fringe e Life Unexpected tiveram encerramento e merecem ser vistas, segundo nossos colaboradores e ajudantes de pesquisa Roberta Amazonas e Felipe Teixeira.

Até a próxima pessoal (mentira, fui cancelada) e se vocês quiserem chorar lágrimas de sangue ao saber quais séries serão definitivamente canceladas, as que talvez sejam canceladas ou as que serão renovadas é só clicar aqui.

Anúncios