Por Bárbara Fernandes

Comic Con International 2010 - Glee Panel

(Mas o que é showrunner mesmo? “Showrunner” é um termo usado na indústria de televisão americana se referindo à pessoa que é responsável pelo dia-a-dia operacional de uma série de televisão – essas pessoas geralmente são creditadas como operadores executivos ou produtor supervisor. O termo também é aplicado em outros países. Diferente dos filmes, onde os diretores estão em controle criativo da produção, um episódio de televisão tem o showrunner. – Wikipedia)

A boina amarela é companhia certa de um dos mais populares showrunners da atualidade, mas além do gosto por acessórios espalhafatosos, chega a ser engraçado a falta de informações sobre Ryan Murphy quando se tenta fazer uma pesquisa breve sobre ele no google. Detalhes da vida pessoal desse criador e produtor de séries são difíceis de serem encontrados, se descobre que ele nasceu em Indianapolis, Indiana, em uma família Irlandesa, é assumidamente gay e casado, mas não se vai muito além disso. Entretanto, tente pesquisar sobre qualquer série que ele criou e uma avalanche de resultados caíra sobre sua cabeça.

Podemos dizer que tudo começou com a polêmica Nip/Tuck (Estética), que abordava o lado obscuro das cirurgias plásticas, mostrando pessoas que faziam de tudo em busca da beleza. O show ganhou um Globo de Ouro e um Emmy e teve 45 indicações a prêmios. Entretanto foi a série adolescente Glee, que acrescentou o nome de Ryan Murphy no vocabulário do grande público e de 10 entre 10 maníacos por série.

Falando como uma Gleek enlouquecida, posso dizer, que apesar das críticas, Glee fala muito claramente com seu público alvo: adolescentes – populares, nerds, excluídos, gordos, magros, gays ou heterossexuais – através de música. Com uma pegada irônica e engraçada ao tratar assuntos sérios, como religião, sexualidade e educação, Glee encanta multidões pelo mundo desde sua estreia em 2009, tendo sido nomeada para diversos prêmios, como Emmy’s e Globos de Ouro – onde ganhou em 2010 como Melhor Série de Televisão – Comédia ou Musical. Prova de sua popularidade foi o fato de ter sido escolhida para preencher o intervalo do Super Bowl, o maior espetáculo esportivo televisionado do mundo. A série foi criada por Ryan, com a colaboração de Brad Falchuk e Ian Brennan, mas foi Ryan que ganhou notoriedade pela produção.

A surpresa, porém, só viria em outubro de 2010, com a minissérie American Horror Story. Totalmente diferente de tudo que Murphy já fez e de tudo que existe na televisão, a série retrata aspectos sombrios da realidade humana misturada a fatores sobrenaturais. A primeira temporada conta a história de um casal que vive em uma casa assombrada pelos antigos habitantes, a segunda – e brilhante – temporada ocorre em 1964, em um hospício, onde pacientes, médicos e freiras vivem histórias doentias de ambição, mistérios e assassinatos. Essa série, diferente de Glee, atraiu um público diversificado, de todas as idades, homens e mulheres, – e qualquer um que gosta daquele tipo de história que se é contada na frente de uma fogueira e arrepia os pelos da nuca.

A última tacada certeira de Ryan Murphy é a estreante sitcom The New Normal. Você lembra que falei que a vida pessoal de Ryan era um mistério? Então, The New Normal modifica esse fato, sendo um retrato autobiográfico claríssimo da vida de Ryan. Só pra relembrar: Ryan é showrunner de glee, onde adolescentes no ensino médio cantam, é casado com David e acabou de ter um filho, usando o método de barriga de aluguel. O protagonista de “The New Normal” Bryan é um showrunner de uma série chamada Sing, onde adolescentes do ensino médio cantam, é casado com David e está procurando de uma barriga de aluguel para gerar seu filho. Qualquer semelhança não é mera coincidência, mas ao contrário do que parece, a série não engrandece Ryan, ela o transforma em alguém mais real, mostrando situações verídicas de aprendizado.

Por fim, não posso terminar esse texto sem recomendar essas séries para vocês, e não precisam ser as três, mas tenho certeza que alguma delas vai se encaixar no seu gosto. Então, vai lá, coloca sua boina amarela e aproveite o trabalho de Titio Ryan. Ah, você não tem uma boina amarela? É, imaginei. De qualquer jeito, com ou sem boina, não perca essas maravilhas da indústria dramática. Tchau, pessoal. E até o próximo Especial Showrunners.

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