Por Elisa Bastos Araujo

agrurasAo listar as notícias da semana, acho que os sites se confundem sobre a relevância do que interessa ao público ser ou não notícia. Sobre o conceito de notícia que circula entre os acadêmicos do jornalismo, sabemos que é relevante “o homem morder o cachorro”, pelo seu caráter inusitado, e não tanto o contrário, pela sua condição corriqueira. Mas isso não define, por si só, que tudo o que for inusitado é notícia.

Temos no globo.com, por exemplo, sessões destinadas à bizarrice, que tanto interessam a milhares de leitores do Brasil e do mundo, mas elas escapam e acabam atingindo a primeira página do site, como se fossem notícias de verdade, por assim dizer. É um festival de futilidades, desde o encontro da Barbie e do Ken humanos (um americano e uma ucraniana que se submeteram a plásticas para se parecerem com os bonecos mais famosos do mundo), ao look comportado de Viviane Araújo na sapucaí. O site em questão preza a sua credibilidade por boa informação enquanto recheia suas páginas com fatos banais sobre as celebridades do momento.

O que temos que levar em conta sobre o site que tomamos como exemplo é que ele é a principal vitrine, uma verdadeira plataforma de exibição dos outros sites vinculados à rede Globo. Não há informação além daquela que esteja intimamente ligada a emissora e a seus subordinados. Há informação remissiva às novelas, que nos conduzem aos sites dos folhetins, informações sobre a programação de esporte do canal, e por aí vai.

O site de notícias da rede Globo é o G1, como todos sabemos. Mas o slogan do globo.com nos engana: “Absolutamente tudo sobre notícias, esporte e entretenimento”. Na realidade, o que temos de tudo nesse site é a condução para outras informações que a Globo nos quer induzir a conhecer.

E assim a Rede Globo consegue, mais uma vez, o domínio das rédeas da informação. De uma maneira diferente, é claro, mas a leitura da informação não é totalmente determinada, mas é permeada desta maneira. A vitrine nos encanta, nos enche os olhos e nos esvazia. O conteúdo, de verdade, é relegado a poucos. Enquanto muitos navegam pela internet perdidos nos hiperlinks que tanto nos seduzem, sem saberem mais o motivo de sua real pesquisa inicial, as informações tornam-se vazias, mais uma vez direcionadas aos momentos do que passa na televisão. É assim, enfim, que nos informamos. A internet, como uma faca de dois gumes, ainda nos serve como ferramenta para a diversão.

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