Por Leonardo Juliano Reis

Ande atento pela cidade! Mas calmo, senão você pode perder diversas atrações, e melhor ainda, gratuitas. Bom, quanto ao “gratuitas”, isso só depende de você.

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Existem diversos artistas se apresentando por ruas e praças, se expressando por meio de várias formas de arte, tudo em troca de um troco. Há um termo, em inglês, que define esse tipo esse fenômeno de artistas de rua se apresentando para um público transitório que decide pagar o quanto quiser ou simplesmente não pagar: busking.

É uma prática que acontece por todo o mundo e toma diversas formas, tanto o quanto podem ser diversas as culturas. Unindo arte e entretenimento desde quando a história pode registrar, os buskers tentam nos arrancar da inércia (e de um pouco do nosso dinheiro) com mágicas, músicas e malabares, poesias, pinturas e pantomimas.

Essa prática veio mudando com o tempo e devido a tecnologia, a possibilidade de gravar e reproduzir sua obra, além de uma profissionalização (e mercantilização de expressões artísticas), ela se tornou mais do que apenas pedir dinheiro ou um meio de sobrevivência. Muitos o fazem para divulgar seu trabalho, praticar suas habilidades, para se conectarem com outras pessoas ou, entre tantas outras razões, simplesmente para colocar no mundo suas criações. Contudo, é possível que esse mesmo avanço das relações do mercado com as expressões artísticas tenha feito com que o público não preste atenção a esses artistas de rua, e possam simplesmente estar deixando de apreciar grandes talentos, como mostra o caso de Joshua Bell, um violinista vencedor do Grammy, que tocou no metro de Nova Iorque com um violino no valor de US$ 2 milhões e dentre as mais de mil pessoas que passaram por ele, apenas um o reconheceu. No final do dia ele arrecadou US$ 32,17. Algo semelhante já aconteceu inclusive com Paul McCartney em 1984, usando um disfarce ele tocou na rua e ninguém o reconheceu ou sequer o olhou.

É como se desconsiderássemos a arte quando ela está “fora” do seu lugar, por mais absurda que pareça essa ideia se formos pensar um pouco mais.

Uma grafite num muro, não é um quadro em uma parede de museu. Um carinha fazendo jogando coisas pro alto durante um sinal vermelho, não é um malabarista no circo. Alguém tocando para ninguém em uma rua movimentada, não é um artista em um palco de um festival. E vocês estão certos, não é mesmo. E nem deveria ser, assim como qualquer expressão artística não deveria ter um local obrigatória para se fazer presente ou fazer sentido.

Um conselho: quando estiverem pela rua, abram seus olhos, ouvidos… e bolsos.

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