Por Thamiris Alves

Preencher o espaço da rotina das pessoas com sonhos, cores, sorrisos e possibilidades, isso é arte. Fernanda Gomes começou a fazer instalações em 2001, quando fez uma pós-graduação em novas tecnologias. Seus trabalhos envolvem vários dispositivos tecnológicos, fotos, vídeos, músicas, projetores, mas também a emoção, a expectativa e reação das pessoas. Para ela, “o objetivo principal é estabelecer um espaço de trocas e de interações, onde as pessoas possam ser mais do que espectadoras e que também possa improvisar, criar e entrar em composição com imagens. Esse objetivo continua firme e forte!”

bolas, tintas e outras cores (5)Seu trabalho mais recente é também seu favorito, a exposição “Cores Vivas Para Tempos Mortos”, que aconteceu no Palácio das Artes, Belo Horizonte. Nesse trabalho, ela surpreendeu gente que é ignorada ou que passa despercebida no nosso cotidiano. Geralmente, são pessoas que trabalham de uniforme e tem rotinas automáticas e repetitivas em diversas profissões, como porteiros, ascensoristas e funcionários de bilheterias. Para cada um uma surpresa, bombons ou balões coloridos e até mesmo um banho de tinta na própria autora. “O que eu quis foi oferecer a estas pessoas momentos coloridos, que quebrassem estes tempos mortos e trouxessem mais visibilidade a elas”. Veja o teaser do trabalho.

Fernanda contou que se sente muito emocionada e bem ao fazer isso. “Acho que quem recebeu o maior presente fui eu mesma. Talvez não consiga alterar a vida dessas pessoas, mas pelo menos por alguns minutos eu consegui quebrar seus tempos mortos.“ Ela adora o imprevisto das reações que fazem parte da nossa singularidade. “As reações foram variadas. A mais emocionante foi a da ascensorista que recebeu o buquê de flores, que chegou a chorar. A bilheteira do metrô ficou rindo e não acreditou que todos aqueles bombons fossem pra ela. O porteiro também não acreditou e ficou rindo com a situação. E o vigia ficou mais quietão, só me observando passar com todos aqueles balões.”

O trabalho final é lindo tanto quanto o fazer. Fernanda prefere expor em praças e outros lugares públicos. “São espaços não institucionais que permitem uma maior liberdade do público.“ E ela está muito satisfeita com a participação das pessoas: “algumas pessoas são mais desconfiadas e tímidas. Outras são reservadas em um primeiro momento e depois conseguem se soltar. Tem aquelas que logo entram no jogo e adoram interagir. E ainda tem aquelas que não satisfeitas ainda conseguem convencer as mais tímidas a participar”.

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Além de artista, Fernanda da aula de Arte e Novas Tecnologias, História da Arte e Informática Aplicada á História da Arte, na EBA. É um ótimo momento para ela recorrer a suas experiências artísticas e compartilhar processos de criação, produção e recepção com os alunos. “Isso enriquece bastante as aulas”. Alguns alunos da ECO (UFRJ) chegaram a participar da “Ocupação Horizontal”, que fez parte do trabalho “Horizontes Invisíveis”, em quem pessoas se deitaram numa praça ocupando os espaços da praça XV (RJ). Nessa obra, também foram convocados artistas que já têm uma predisposição maior para participar desse tipo de proposta. Esse trabalho alcançou vários horizontes, no Beco da Poeira (Fortaleza – Ceará), comerciantes, compradores e passantes foram convidados a fazer bolhinhas de sabão tornaram, por alguns minutos, preenchendo o espaço de poesia e alegria. A instalação também foi exposta no Parque Lage (Rio de Janeiro), de 19 a 20 de março de 2011, dentro do evento “Verão da Cultura”. Confira o vídeo.

Toda essa poesia e beleza, ou pelo menos parte dessa arte, pode ser vista em vídeos e fotos no site, o registro geralmente é feito pela própria artista, mas também conta com o apoio de uma amiga editora e de outro artista que trabalha na parte de programação. “A produção depende da proposta. Equipes são formadas a partir das necessidades de cada obra.” As notícias sobre as exposições e novos lançamentos podem ser vistas no blog.

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