Com posições e blocos definidos, reta final do Brasileirão mostrou poucas mudanças. Números do campeão Fluminense impressionam.

Por Gustavo Lethier

Um campeonato brasileiro com um grande campeão e pouca emoção no fim. Assim foi o Brasileirão 2012, que consagrou a supremacia do Fluminense com o segundo título nacional em três anos, e encerrou a temporada de futebol no país da bola sem surpresas.

O final morno do torneio não fez jus ao título de segunda maior liga nacional do mundo. Com o título e os classificados para a Taça Libertadores já definidos, a última rodada reservou pouco aos torcedores que ainda sonhavam com os bons jogos e os times que tentavam diminuir o prejuízo. Poucas mudanças no bloco intermediário foram apenas reflexo do que se desenhou nos mais de seis meses de Brasileirão.

Veja a classificação final

Quem teve motivos para comemorar no apagar das luzes foi o Atlético Mineiro. Depois de dar adeus à briga pelo título com algumas rodadas de antecedência, a equipe de Belo Horizonte recuperou a segunda colocação do campeonato com uma vitória na última partida, no clássico contra o Cruzeiro. O segundo lugar representou a volta do clube ao patamar de elite do futebol brasileiro depois de anos ruins, e garantiu os alvinegros na fase de grupos da Libertadores. Apenas o Grêmio – 3º colocado – e o São Paulo – 4º colocado e campeão da Copa Sul-Americana – disputarão a fase chamada de pré-Libertadores.

Os números do campeonato

A melhor defesa e o maior número de vitórias significaram o título do Fluminense. A equipe comandada por Abel Braga somou todos os requisitos para uma campanha irretocável, que terminou com o incrível aproveitamento de 68% dos pontos disputados, um dos maiores entre os campeões da era mais recente do campeonato brasileiro. Além da sólida defesa, por vezes contestada, mas que levou apenas 33 gols em 38 partidas, o ataque também se mostrou poderoso, e foi o segundo melhor, com 61 gols marcados.

O artilheiro do torneio também vestiu a camisa tricolor. Fred, autor do gol do título, balançou a rede por 20 vezes e garantiu a marca isolada, já que Luís Fabiano, do São Paulo, foi o vice-artilheiro, com 17 gols.

Os feitos de Fred não pararam por aí. Como recompensa do excelente ano pelo time carioca, o atacante recebeu as duas mais conceituadas premiações de melhor jogador do campeonato: a tradicional Bola de Ouro e o Prêmio Craque do Brasileirão, da CBF.

Neymar, visto como o maior jogador em atividade no futebol brasileiro atualmente, não ficou sem suas homenagens. O jogador que ficou de fora por grande parte do campeonato, entrou nas seleções de melhores jogadores de cada posição e recebeu o título “hors concours” da Bola de Prata, pelo conjunto de gols e atuações.

A temida Zona de Rebaixamento não foi tão assustadora quanto de costume. Os quatro times rebaixados permaneceram juntos no caminho para a segunda divisão desde a rodada 19, e durante o segundo turno do campeonato, apenas mudaram de colocação entre si. O lanterna Figueirense acumulou a pior defesa (72 gols contra), o pior saldo de gols (-33) e o pior aproveitamento, conquistando apenas 30 pontos e sete vitórias.

Três cariocas e campanhas instáveis

Os torcedores do Fluminense tiveram muitos motivos para zombar dos adversários durante o ano. A regularidade do tricolor carioca se opôs às campanhas dos rivais do Rio de Janeiro. Vasco, Botafogo e Flamengo terminaram na zona intermediária da tabela, e confirmaram a vaga na Copa Sul-Americana de 2013.

O Vasco terminou o campeonato em baixa, na quinta colocação. A equipe cruzmaltina não conseguiu dar sequencia às boas atuações que colocaram time no G4 por 29 rodadas consecutivas, desde o início do Brasileirão. Já o Botafogo, que se manteve sempre na parte de cima da classificação e cuja pior posição foi o 9º lugar, também não alcançou o objetivo de chegar à Libertadores. Os alvinegros terminaram em 7º.

A briga do Flamengo foi diferente. Na ponta de baixo, o time da Gávea namorou a Zona de Rebaixamento por algum tempo, e esteve sempre em alerta quanto aos riscos. Irregulares, os rubro-negros chegaram a ter aspirações maiores quando subiram para a sétima colocação, mas a realidade se mostrou contrária, e o Flamengo ficou fechou o ano em 11º.

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